Segunda-feira, Maio 25, 2009

Era uma vez o Riviera



Foto by khunkristi

Domingo, Maio 24, 2009

A Zambézia de A a Z


A - Alto Molócue

Vila e sede de distrito situada 350 quilómetros de Quelimane e 200 de Nampula, em plenas montanhas da Alta Zambézia, não muito longe do rio Ligonha, divisão natural das duas províncias. Recentemente, em Abril de 2006, o Alto Molócue foi um dos dez distritos que ascendeu à categoria de Município.

B - Bicicleta

É o meio de transporte mais popular na Zambézia. À entrada de Quelimane circulam em maior número que os carros. Outra coisa, única no país, são as bicicletas-táxi que circulam um pouco por toda a província e, sobretudo, na capital. Aqui, o fenómeno surge, com particular força em finais de 2006 e alastrou-se de tal maneira que hoje Quelimane pode ser considerada a cidade das bicicletas. Os preços variam de 5 a 15 meticais dependendo naturalmente das distâncias a percorrer. Após as 18 horas, os preços são agravados, pagando-se um mínimo de 7,50 meticais, aumento justificado, no dizer dos taxistas, pelos riscos que correm.

C - Chuabo


O Chuabo é a língua falada na região à volta da cidade de Quelimane. É uma língua banto, da grande família Níger-Congo e do grupo das línguas Emakhuwa. 7% da população moçambicana tem esta língua como materna.

D - Donas

D. Ana do Chinde, D. Macacica, D. Ignácia Benedita da Cruz são alguns nomes das célebres Donas da Zambézia. Normalmente, estas mulheres eram mestiças filhas de portugueses e de negras ou goesas. Surgiram no século XVII e foram até meados do século XIX, quando foram extintos os chamados prazos da Coroa - vastas concessões de terras administradas ao estilo feudal. Muitas destas donas herdaram fortunas fabulosas, acabando por deter um grande poder na sua área de jurisdição.

E - Elomwe


Com 8% de falantes, o Elomwe é a terceira língua mais falada em Moçambique, depois do Macua (26%) e do Changane (11%). Fala-se um pouco por toda a Zambézia por excepção das zonas circunvizinhas da cidade de Quelimane.

F - Frango à Zambeziana


O frango está para a Zambézia como o cabrito está para Tete: é o prato favorito. Os ingredientes são: frango, limão, sal grosso, alho, coco, piripiri. Hoje é um prato consumido no país inteiro.

G - Gurúè

Conhecida no tempo colonial por Vila Junqueiro, a povoação do Guúè não é de acesso fácil. Mas a sua beleza vale bem uma visita. A grande imagem que marca é a enorme extensão de campo verde ocupado pelas plantações de chá, as maiores de Moçambique. O clima é fresco e a paisagem faz lembrar, em alguns locais, o norte da Europa. A vista dos socalcos verdes das plantações de chá é fabulosa.

H - Hotel Chuabo

Com os seus oito pisos é o edifício mais imponente de Quelimane. A “olhar” o rio, o Chuabo foi construído nos anos ´60 quando a Zambézia prosperava. Nessa altura, Lindolfo Monteiro, o maior empresário da região, mandou edificar este grandioso hotel com 130 camas, 63 quartos, restaurante e snack-bar. No interior, há saborosos pormenores de arquitectura como a larga escada em caracol que dá acesso aos andares superiores. Os quartos são espaçosos, destacando-se nas paredes os quadros com motivos piscatórios portugueses. Depois de 30 anos entregue ao Estado, o Chuabo voltou à exploração privada em Novembro de 2005.

I - Igreja Nossa Senhora do Livramento

Também conhecido por Catedral Velha, este templo, localizado na marginal de Quelimane, foi construído no último quartel do século XVIII. Nas lajes do seu chão repousam os restos mortais de ilustres portugueses que governaram a Zambézia. Necessita de urgentes obras de restauro, sob pena de ruir definitivamente.

J - João Correia Pereira


Natural da cidade nortenha portuguesa do Porto, chegou à Zambézia em 1853, com apenas 13 anos. Não demorou muito a enriquecer com o comércio no interior, sobretudo de marfim. Figura muito prezada em toda a Zambézia, falava fluentemente várias línguas da região, tendo inclusivamente guiado o conhecido missionário escocês David Livingston quando este procurava os rápidos do Zambeze. Em 1877 fundou em Quelimane o semanário “O Africano”, o primeiro de Moçambique. Nas suas páginas bateu-se contra todo o tipo de injustiças e abusos do poder, tendo-lhe sido erguida uma estátua em Chinde.

L - Ligonha


Afluente do rio Lúrio, o Ligonha é a fronteira natural entre a Alta Zambézia e o sul da província de Nampula, tendo a sua foz na Ponta Macalonga, um pouco a sul de Moma. O seu leito é conhecido pela riqueza dos minérios.

M - Madal

Os descendentes de João Correia Pereira venderam a maior dos seus terrenos à Sociedade Madal, fundada no Mónaco em 1903. Entre os sócios fundadores da Madal contava-se o príncipe Alberto Honorato Grimaldi (trisavô do actual príncipe Alberto). Nesse tempo, tal como agora, a Madal dedicava-se à plantação de coqueiros e à criação de gado, com destaque para o óleo de coco. Na floresta de Mahinde, que também lhe pertence, existe hoje uma reserva de caça. Presentemente, a empresa encontra-se em grandes dificuldades financeiras correndo o risco de fechar as portas. 
 
N - Namúli
 
As serras, que estão em cima das plantações de chá, emprestam ao monte Namúli, com a sua altura descomunal - possui 2.419 m, sendo o segundo mais alto do país - um aspecto de esmagadora grandiosidade. Na época das trovoadas o espectáculo é tão belo, tão grandioso, que chega a meter medo.

O - Olinda


Fica situada do lado oposto da praia de Zalala, à entrada do Rio dos Bons Sinais, e é conhecida, sobretudo, pelo seu farol. Aos fins-de-semana é um local concorrido sobretudo por parte dos habitantes da capital.

P - Praia de Zalala

A praia é linda mas o caminho é ainda mais. Milhares de coqueiros ladeiam a estrada durante a maior parte dos 37 kms que separam Quelimane de Zalala. Esta vegetação densa termina num areal branco imaculado a perder de vista. Quando a maré está baixa o percurso até ao mar parece infindável. Aos fins-de-semana é igualmente muito concorrida.

Q - Quelimane

É a capital da província da Zambézia e uma cidade das mais antigas da colonização portuguesa. Quem chega a Quelimane vindo do Sul, a primeira impressão que tem é de sobrelotação. Efectivamente, à medida que a cidade se aproxima o formigueiro de gente dos dois lados da estrada vai engrossando. Os subúrbios são povoadíssimos só encontrando paralelo em Maputo e em Nampula. Aqui as casas são de adobe com telhados de palha, sendo as dos mais endinheirados de tijolo cobertas com chapa de zinco. A densidade populacional é elevadíssima, ou não fosse Quelimane a quarta cidade do país e a província da Zambézia a segunda mais populosa, depois de Nampula. Apesar de ser do tempo da velha colonização portuguesa, o aspecto geral de Quelimane, em termos urbanísticos e arquitectónicos é dos finais dos anos ´60, sendo o edifício do Conselho Municipal o seu exemplar mais típico. No centro da cidade, na Avenida 1 de Julho, fica a mesquita, um edifício moderno, interessante, com recortes superiores nitidamente de estilo mourisco.

R - Rio dos Bons Sinais


Na língua chuabo é conhecido como rio Cuácua, mas o navegador português Vasco da Gama quando aportou na sua embocadura, em 1498, chamou-lhe Rio dos Bons Sinais por entender que estava certo na sua rota para a Índia.

S - Sura


É uma bebida apreciada em quase todo o país, mas na Zambézia é mais vulgar. É feita à base da seiva da palmeira fermentada, tem aspecto de um vinho e quando doce, é bem agradável. De elevado teor alcoólico, embriaga com relativa facilidade.

T - Tchakare


É um instrumento cordófono, em que a corda passa directamente por cima da caixa de ressonância, assim como acontece na viola. Esta caixa de ressonância é normalmente feita de madeira coberta de uma membrana de pele de lagarto. O tocador segura o instrumento de modo a que a caixa fique encostada ao seu abdómen ou ao seu ombro. Com uma das mãos faz pressão sobre a corda para variar o som, ao mesmo tempo que ela é friccionada com o arco, que segura na outra mão. A corda deste arco é feita de raiz de “murapa” embebida em resina da árvore “chakari”. Em algumas regiões da Zambézia é conhecido também por siribo.

U - Undi


Título nobiliárquico criado no século XVII entre os maraves que resultou da uma cisão do título karonga. Undi, irmão de um karonga falecido, não se conformou com a preferência dada pelos conselheiros a um seu sobrinho, por isso decidiu separar-se levando consigo todos os membros femininos da linhagem real phiri. Este reino independente chegou a ocupar uma parte importante da província de Tete e do oeste da Zambézia.

V - Vila de Sena

Vila de Sena foi a primeira capital económica de Moçambique. Antes da colonização, segundo a tradição oral, a Fortaleza de Sena contava apenas com dois pigmeus, que falavam todas as línguas do mundo. Depois abandonaram misteriosamente a área, sendo actualmente substituídos por abelhas mágicas. Sena, que completou, em Maio, 247 anos de fundação, tem como referência obrigatória a sua fortaleza. A comunidade e as autoridades equacionam a possibilidade de realizar actividades de limpeza, arborização e vedação daquele local histórico e cultural, para acolhimento condigno aos turistas e pesquisadores do rico mosaico histórico e cultural moçambicano.

X - Xicundas


Espécie de pequeno exército de escravos que zelavam pela segurança dos prazos. Após a abolição da escravatura, no último quartel do século XIX, os xicundas passaram a sipaios da administração colonial.

Z - Zambeze

Conhecido também por Grande Rio - é o terceiro maior de África depois do Nilo e do Congo - é também ele que dá o nome à província e a toda a região. Nasce na Zâmbia, passa por Angola, estabelece a fronteira entre a Zâmbia e o Zimbabwe e atravessa Moçambique de oeste para leste, para desaguar no Oceano Índico num enorme delta na zona de Chinde. 
Tem 2.750 km de comprimento. A parte mais espectacular do seu curso são as Cataratas Vitória, as maiores do mundo, com 1708 m de extensão e uma queda de 99m. Este monumento natural foi inscrito pela UNESCO em 1989 na lista dos locais que são Património da Humanidade.
Existem duas grandes barragens no rio Zambeze: Kariba, na fronteira entre a Zâmbia e o Zimbabwe (e gerida conjuntamente) e Cabora Bassa, em Moçambique.

In, Jornal @Verdade

Sabores da Zambézia no Grande Maputo


Para quem deseja navegar num mar de delícias e em busca dos melhores sabores da tradicional cozinha moçambicana, o destino certo são os pratos da Zambézia. Para o efeito,  o @Verdade procurou, um pouco por todo o Maputo, lugares onde a cozinha da “terra do coco” é o cartão - de - visita e constatou que grande parte dos pratos confeccionados nesses lugares não faz jus à sua origem.

 

A cozinha moçambicana é uma das melhores do mundo, dispõe de um património bastante rico e uma grande variedade de receitas e de condimentos da mais alta índole gastronómica. Para além de ser muito rica e variada, possui sabores inigualáveis e uma qualidade quase sem precedentes.


Falar da gastronomia moçambicana é falar de sabores que se entrelaçam e à qual é impossível resistir. O impossível também é falar-se da cozinha moçambicana, sem se fazer menção a uma província das mais ricas em gastronomia: a Zambézia, lugar que foi buscar o nome ao rio Zambeze. Esta parcela de Moçambique é famosa, não só pelo grande rio, pelas enormes palmeiras, pelas vastas plantações de chá, mas também pela sua cozinha autenticamente tradicional e bastante condimentada.

A sua gastronomia é baseada no coco e caracteriza-se pela sua excelência e pelo apelo que faz aos paladares mais exigentes. Tem como pratos principais a mukapatha, a galinha à zambeziana e o mucuane.
É conhecida em quase todo o país, mas o “@Verdade” constatou que, no grande Maputo, poucas são as pessoas e restaurantes que conseguem preparar com o devido esmero, mantendo o sabor e o paladar da tradição zambeziana.

No grande Maputo, há uma data de casas especializadas na comida zambeziana, nas quais o prato mais popular é o frango à zambeziana. Aliás, dos diversos restaurantes e “take-aways” que servem pratos tipicamente daquela zona, alguns ostentam o nome da província mas confeccionam o prato mais famoso da gastronomia do ‘pequeno Brasil’ com o frango brasileiro e em moldes não tradicionais.

No cruzamento entre as avenidas Eduardo Mondlane e Amílcar Cabral podemos encontrar o Take-Away Frango à Zambeziana, um espaço bastante concorrido. O fim-de-semana tem sido o período de maior procura. Na avenida Mao Tse Tung, um pouco depois da esquina entre esta e a da Base N`tchinga, encontra-se o Restaurante Take-Away Zambézia, onde o prato típico da Zambézia que se pode saborear é o afamado frango. Os principais clientes são pessoas de classe média e média-alta.

São poucos os restaurantes que mantêm o sabor e o paladar típicos da região. Na ronda que o @Verdade efectuou pela cidade de Maputo, o único lugar digno de menção é o restaurante “O coqueiro”, sendo as seguintes as suas especialidades: mucapata, mucuani com camarão,  feijão nhemba e quiabo com camarão.

Tradicional e modesto. Essas são as únicas palavras que expressam rigorosamente o que é na essência o restaurante “O coqueiro”, que funciona na baixa da cidade de Maputo, concretamente na Feira Popular e tem uma história para contar.

A sua história perdura há vinte anos, quando Carima Khan da Graça, zambeziana com muito orgulho, por iniciativa própria e fundos próprios, decide abrir um restaurante que servisse especificamente comida típica da sua terra. No início, muitas pessoas não acreditavam no valor daquela casa de pasto. Rapidamente, tornou-se um sucesso para felicidade dela e dos seus visitantes. No começo, o restaurante tinha como público-alvo os naturais da Zambézia residentes na cidade de Maputo que desejassem matar saudades dos pratos da terra.

Porém, foi ganhando a simpatia de outros moçambicanos das mais diversas camadas sociais e origens. E não só. Também tem granjeado a simpatia de estrangeiros que visitam o país, dentre eles figuras de renome internacional na área musical, empresarial e político.

É um verdadeiro restaurante de família. Actualmente, sob responsabilidade de Marco Aurélio de Oliveira Graça, cozinheiro há mais de vinte anos, e seus irmãos, filhos de Carima da Graça, o restaurante caiu nas graças do público. Os motivos são mais que muitos. Desde a comida magnificamente confeccionada em  moldes tradicionais, passando pelo atendimento personalizado de Marco Aurélio e o seu pessoal até a simpatia da chef de cozinha, a D. Isabel. O restaurante conta com um número razoável de empregados, na sua maioria oriundos da Zambézia.

Os preços são convidativos - assim dizem os clientes fiéis da casa - bastam alguns meticais para se comer tudo o que se quiser. A galinha à zambeziana custa 220 meticais, a mukapatha 80 meticais, o mucuani e o feijao nhemba custam 150 meticais o prato e o quiabo com camarão está fixado em 160 meticais, tudo confeccionado à base de coco e em moldes tradicionais. Segundas, Quintas, Sextas e Domingos são os dias de maior procura. Os pratos levam no máximo 45 minutos a serem confeccionados.

Durante a semana, principalmente às Segundas, Terças e Quintas-feiras, os pratos mais procurados têm sido: a mukapatha, o quiabo com camarão e galinha à zambeziana. Mas, as alternativas não se cingem a estas iguarias, as opções são várias. O importante é não se entusiasmar com a beleza dos pratos que demonstram variadas nuances. Música não falta, principalmente aos Domingos, dia em que, por tradição, se podem desfrutar os ritmos da terra que só o músico da casa sabe servir nas proporções exactas. 
O segredo do sucesso dos pratos, segundo Marco Aurélio, está no cumprimento rigoroso da receita na hora de preparar e na humildade que consiste em “ser para ter”, pois ele acredita que “ter não é ser”.
O restaurante também serve por encomenda, e tem participado nas feiras organizadas pelo Ministério de Turismo.

Os pratos

Os pratos mais requisitados, em toda a cidade, por uma grande maioria dos apreciadores da cozinha zambeziana são a mukapatha, que pode ser servida com frango ou peixe de preferência assado, que ganha um sabor mais requintado se preparado em panela de barro. O frango à zambeziana e o mucuane, confeccionados com folhas da mandioqueira, camarão e papaia, podem ser acompanhados com xima ou arroz de coco. O quiabo com camarão, geralmente servido com xima feita com farinha de mandioca, é também uma refeição em que é possível apreciar cada ingrediente.

Os pratos típicos da Zambézia, na sua maioria, são normalmente preparados em ocasiões especiais e familiares. São relativamente fáceis de preparar, desde que se tenham os ingredientes e se sigam fielmente e na íntegra as receitas. Aqui ficam algumas dicas para preparar e manter o sabor da galinha à zambeziana e da mukapatha.

Para confeccionar a galinha à zambeziana deve-se ralar a polpa do coco para dentro de uma bacia, e deita-ser um pouco de água quente aos poucos, mexendo-se lentamente com as mãos até ficar um leite cremoso. O coco deverá ser espremido para se obter um melhor resultado. Com o frango limpo e temperado, este é assado em fogões a carvão em brasa e, à temperatura baixa, vai-se regando constantemente com o molho.

Para se preparar a mukapatha, é necessário lavar-se o arroz e o feijão soroco sem casca. Põem-se ambos a cozer numa panela com água e sal, durante vinte minutos. Ralados os cocos, e com um pouco de água morna, espreme-se o leite e junta-se ao preparado anterior. Deixa-se no lume, mexendo-se de vez em quando com uma colher de cozinha, até o feijão cozer e o molho secar. Deste modo, está pronto para servir.

Se porventura quiser experimentar outros sabores da cozinha típica da Zambézia, não se esqueça de degustar as sanavas, bolinhos feitos de farinha de arroz extraído da machamba, e as patanicuas (doces de coco).

In, Jornal @ Verdade

MUANA MUCHUABO KHANKALA BURUTO


Frederico Costa fala das suas ligações com a terra

O senso comum considera as pessoas oriundas da província da Zambézia trabalhadoras e batalhadoras. A concepção ganha mais vida, sobretudo, porque é sustentada pelo ditado local: “Mwana muchuabo khancala buruto”, que literalmente, significa: o natural da Zambézia nunca é bruto.

 

Nunca é bruto porque, segundo fontes locais, um filho deve estar minimamente treinado a ganhar a vida para não morrer à fome. Neste caso, se um chuabo não é pescador então é cozinheiro, se não for sapateiro deve ser um carpinteiro, se o destino não ditou que fosse piloto então deve ser um advogado, assim sucessivamente, mas nunca ficar sem nada para fazer.

Pelo país e além-fronteiras, encontram-se grandes figuras provindas dessa terra, desde cantores, políticos, jornalistas, académicos, apresentadores de rádio e televisão, entre outros. Só para lembrar, a falecida cantora Astra Harris e o nosso querido e saudoso jornalista Eusébio Casal, que Deus os tenha.
Procurando saber mais sobre o seu perfil, a terra e a sua gente, @Verdade conversou com Frederico Costa, apresentador do programa “Tudo às 10“ da TVM.

Costa nasceu há sensivelmente 50 anos no distrito de Lugela, província da Zambézia. Falando de si, diz estar bem com a vida e, apesar de radicado em Maputo, sempre mantém contacto com a sua província natal e está ligado à Comunicação desde 1984 como apresentador de rádio na sua província até 1994 quando veio para Maputo.

Em Maputo como apresentador de Televisão

Frederico Costa chegou a Maputo em 1995 a convite da antiga RTK-Rádio, quando esta acabava de abrir. Um ano depois, devido a algumas alterações na empresa, foi convidado para dirigir o sector ligado à televisão, onde produziu alguns programas. Porém, por causa de problemas de ordem funcional, a RTK desapareceu por muitos anos.

Devido à instabilidade da empresa, viu-se obrigado a dar novo rumo à sua vida. Nessa época teve a possibilidade de escolher duas opções: ir à Rádio Moçambique ou à Televisão de Moçambique, tendo escolhido esta última.

A TVM, que acabava de nascer - havia um novo edifício, os profissionais estavam entusiasmados, envolvidos com tudo e todos, fazendo com que cada um deixasse ficar o máximo de si.
Como apresentador de televisão, a sua carreira começa na TVM em 1998, através de uma direcção de programas, que permitia a todos os profissionais deixar a sua inspiração em jeito de criação que depois daria num programa.

Mas, a produção era muito carente e ficou a proposta sobre quem queria fazer um programa, em exclusivo, e alusivo ao dia 25 de Junho de 1998. Costa submeteu o seu projecto com os demais profissionais. Nesse processo nasceu o seu antigo programa,  “Convívio de Amizade” que considera ter sido  um sucesso e que durou cerca de 10 anos.

Foi assim que começou a fazer, efectivamente, televisão. Daí para cá, produziu vários programas de acordo com as necessidades da TVM. Actualmente, na companhia de Zita Ananias, apresenta o “Tudo às 10” que vai ao ar de segunda a sexta-feira às 10 horas.

Ligações com a terra

Apesar de estar longe das origens, Frederico Costa, continua ligado à terra que lhe viu nascer, através de contactos e algumas idas regulares.
Nesta ordem de ideias, fez parte do grupo fundador de uma comunidade sedeada em Maputo que comemora todos os anos, em Agosto, o aniversário da cidade de Quelimane, capital da província da Zambézia.

É também um movimento de apoio e ao mesmo tempo de reencontro de zambezianos que residem fora e que queiram partilhar recordações das velhas amizades, apresentar os filhos, conhecer outras pessoas, etc.
Por outro lado, o nosso interlocutor não descarta a hipótese de voltar a trabalhar na sua terra, em qualquer que seja a actividade. Todavia, considera que, devido ao actual estágio da sua actividade, seria um bocado complicado, pois que as pessoas auto-afirmam-se no seu labor de acordo com as tendências que têm.

Sobre a gastronomia da Zambézia

À volta da famosa gastronomia e os deliciosos pratos zambezianos, a fonte diz ter a ver com o passado. É que, na Zambézia, principalmente para aquelas famílias tradicionais, o almoço começa às 10 horas da manhã até depois das 21 horas e não se repete nada, portanto, é duma diversidade fantástica. Os pratos da Zambézia não são caros.

Falando sobre os seus pratos preferidos no mundo desta famosa gastronomia, o nosso interlocutor disse apreciar uma boa galinha à zambeziana, um bom mucuani, mucapata e dentre outros pratos, concluindo ser um bom “garfo”, razão pela qual, para si, é dificil distinguir uns pratos dos outros, visto que cada prato é mais gostoso que o outro.

Em Maputo não frequenta restaurantes especializados em comida zambeziana, primeiro por não ser amigo de restaurantes, segundo porque tem uma família, que faz questão de proporcionar, regularmente, pratos à zambeziana sem ser necessário deslocar-se a um restaurante.
Segundo o seu ponto de vista, muitos restaurantes estão a adulterar as receitas! Alguns põem, por exemplo, frango à zambeziana, quando do mesmo não há nada de zambeziano. O objectivo disso é, obviamente, vender mais.

O apresentador de “Tudo às 10”, diz sentir-se realizado e estar de bem com a vida, sobretudo pela relatividade com que o conceito se apresenta. Na sua opinião, sente-se encantado por estar vivo e usufruir dos momentos que essa mesma vida lhe proporciona. Basta-lhe que o sol nasça e acorde com saúde, não é apegado aos bens materiais!

Para o nosso entrevistado, o povo zambeziano é maravilhoso e a sua terra só não foi considerada “terra de boa gente” porque Vasco da Gama se enganou.


in Jornal @Verdade

Terça-feira, Maio 12, 2009

O azar de ser zambeziano

“A verdadeira face dos nossos Deputados”

A vida me ensinou a conhecer a face oculta das pessoas, quando nos anos 2002 , 2003 e 2007 respectivamente em Nampula, Mocuba e Maputo, tive a experiência amarga de ser um ser pensante; até me recordo que cheguei a amaldiçoar o dia do meu nascimento nesses três anos. Essa experiência amarga foi para mim uma autêntica terapia para ver o mundo com dois olhos.

Cheguei mesmo a concluir que na verdade a nossa parceira nunca é família. Cheguei até de me recordar de certos episódios do meu pai já falecido, segundo os quais “O Homem é uma ditadura contemporânea”.

Na altura eu nem entendia nada porque tinha uma idade inocente.

Mas o tema de hoje não é para falar de mim; não senhor; vou falar dos outros como de costume, porque esses outros falam de mim e de outros. Vou continuar ainda a falar sobre a nossa terra Zambézia.

Após a independência, a Zambézia ficou inundada de analfabetos sem nenhuma profissão escoados do sul do País para serem os nossos governantes. Recordo-me até que alguns aprenderam a assinar o seu próprio nome nos seus gabinetes!! Enfim, foi uma fase que nem dá para recordar. Volvidos anos, eis que Moçambique passa a enveredar pelo processo democrático abrindo espaço para criação de partidos e, consequentemente os representantes do povo – os vulgos Deputados. Sem excepção alguma, Zambézia sempre elegeu os seus representantes para defenderem os interesses do povo e servirem de porta-vozes (não como Mazanga nem Edson Macuácua) mas sim porta-vozes para assuntos que mexem com a sociedade indefesa. O meu espanto porém, é de que os supostos deputados da bancada maioritária do nosso círculo, parece que não conhecem a realidade da sua província. Os atrevidos que procuram falar na tentativa de agradar os seus camaradas para pelo menos renovar o mandato, esses quando abrem a boca só falam bujardas procurando esconder a verdade. Até parece que vivem noutro planeta - no Júpiter ou mesmo no Plutão. Mil vezes aquelas minhas titias e alguns titios que nunca abriram a boca.

Aliàs, abrem a boca na hora do lanche. Mas penso que fazem muito bem e evitam falar asneiras.” Mil vezes manter-se calado do que ofender o diabo”.

Os tais representantes do povo que assumem defender os interesses da nossa juventude na casa magna, são outros invisíveis e ausentes-presentes, aumentando apenas o número dos dorminhocos e a espera do apito final.

A bancada minoritária do nosso círculo, que também está em vias de extinção se assim eles desejarem, esta sim, tem procurado dizer a verdade, verdade essa que tem sido contestada pela maioria, por serem da oposição. Mas queiramos como não, a bancada minoritária apesar de tudo tem dito a verdade.

Vêem ai as conturbadas eleições já habituais. É altura de pensarmos em quem votar para melhor nos representar e nos governar. Não sei se fica bem votar em pessoas que não aceitam mudanças.

Tivemos muita experiência nas autarquias. Quelimane é o pior município de Moçambique, com os seus buracos a servirem de cartão de visita. As nossas ruas só são minimizadas quando há eventos políticos para inglês ver. Aliás, nem é para inglês ver; mas sim para entreter ou enganar nalgumas vezes o Chefe do estado numa de que tudo anda muito bem.

Mas que pouca vergonha, se tivéssemos essa tal vergonha?!! A quem é que enganamos quando fazemos isso?

Hoje Zambézia, já se diz que virou suposto monopólio de Manhungues e a etnia Sena.

Quer dizer, de Machanganas nos anos 75 até mais ou menos finais do ano 90; agora os supostos Manhungues! Mas que brincadeira, meus senhores?!! Até quando esse aludido espezinhamento?

Quando é que vamos deixar de ser oprimidos? Acham lícito ser estrangeiro na sua própria terra em pleno Século XXI?

Chegou o tempo de mudanças e temos que pensar as formas de como desenvolver a nossa terra. Acredito que um dia você que está a ler agora este artigo, vai-se recordar de mim quando as coisas estiverem de mal a pior, se é que você ainda está a dormir. O que é que você espera para desenvolver a sua terra?

Acordemos, meus irmãos!

DIÁRIO DA ZAMBÉZIA – 12.05.2009

Por: Rondinho Calavete

Ps. Muito interessante este texto. Cheguei a pensar que moçambicanos eram os nacionais de Moçambique e que Moçambique era um estado uno, soberano, indivisível. E pensei também que as etnias nunca prevaleceriam sobre a nacionalidade. Estou enganado? Ou é confusão entre país e o quintal da casa? Enfim regredimos politica e socialmente nestes últimos anos. Está visto!