Segunda-feira, Agosto 31, 2009

Quelimane 2009 (não merece)

NUM VAL´PENA! - Cine Teatro Águia

COMEÇO mesmo de chofre.

Este país está a perder referências em todos os campos. Os nossos patrimónios histórico-culturais estão a desaparecer para dar lugar a lojas e outras casas de comércio e de pasto muitas vezes de carácter duvidoso. Temos agora uma cidade difusa e confusa, infestada por lojecas, algumas com sinais claros de serem barracas melhoradas.

Autênticos senta-baixos.

Passei há dias pelo Scala, um verdadeiro ex-líbris da capital e do país, dei de caras com uma lojeca de venda de roupa.

Paradoxalmente, o nome ainda está lá imponente: Pastelaria Scala.

Entretanto vendem roupa. 


Do outro lado da avenida está lá outro ex-líbris, o Continental. Dizem-me que agora vai passar a banco.

O John Orr´s, ali mesmo ao lado, onde os meus pais compraram o meu primeiro fato e sapatos, morreu literalmente. Também virou banco.

O Prédio Pott, bom, esse até ardeu, ante a passividade de todos nós e hoje está ali feito ruína, envergonhado de ter sobrevivido ao colonialismo para sucumbir às mãos de quem prometeu promovê-lo. Ao invés de promover esses espaços, removemo-los. Com toda a sua história e saber. 
Preferimos o capital à cultura. É impressionante como nos baldamos para a história e cultura referenciada pelos nossos edifícios. Se na capital é assim, que tal no resto do país?

Há dias, concretamente num domingo, ligou-me um amigo de longa data. De Quelimane.

Estava bastante amuado. Dizia-me que estava farto de rotinas. Propus-lhe então que fosse assistir um filme, mas não em formato DVD.

“Mas, então porque é que não pegas em ti e na tua esposa e dão um salto ao “Águia”? Acho que até vos faria bem.”

Silêncio e depois uma sonora gargalhada.

Não percebi nada.

Parecia que tinha acabado de contar uma saga hilariante de Tom e Jerry. E o tipo já mais sério e com ares de ofendido atirou: “tás a gozar com um gajo ou quê?! Então não sabes que o Águia já não existe?!”. Fiquei mudo e quedo com a história que depois narrou. O Cine Teatro Águia virou uma ruína.

Espantoso.

O mesmo Águia que foi uma referência incontornável da juventude dos anos 80, e por isso um importante foco de desenvolvimento cultural. Um lugar com uma intensa programação cultural todos os dias, por isso respirando juventude. Essa mesma juventude que hoje tem construído um saber e hábitos culturais enraizados que infelizmente os nossos filhos não têm. O “Águia” tinha já na altura excelentes condições acústicas, cómodos assentos na plateia, balcão e camarotes. Era sem dúvida uma válvula de escape para os jovens, que os distraía das tendências das drogas com serviços educativos que tinham por finalidade desenvolver hábitos culturais através de actividades lúdico-pedagógicas. Os debates entre a malta, depois de cada sessão, parecendo que não, estimulavam competências criativas, críticas e expressivas. O resultado é que já na escola compreendíamos e assimilávamos com relativa facilidade variados temas de estudo.

Construímos uma capacidade básica de argumentação e de crítica. Construímos o gosto e cultura pela investigação.


Que pena e saudades do meu Cinema Águia, da Fila B e da S., dos didácticos Kuxa Kanemas, do Louis de Funés, do Amithab Bachan, Hema Malini e Sharmila Tagore, do Kheoma e do Bud Spencer.

E do porteiro gigante e musculoso Barone, recordam-se dele?!

Não nos deixava entrar nos filmes maiores de 18 anos porque tínhamos apenas…17 anos.


Perguntem hoje o que vê e pensa um menino de 10 anos.


Salvemos o “Águia” por favor!


Maputo, Quinta-Feira, 27 de Agosto de 2009:: Notícias 



por Leonel Magaia

Sábado, Agosto 22, 2009

QUELIMANE CELEBRA MAIS UM ANIVERSARIO!



Imagens de: António Zefanias


Está de parabens a cidade dos meus sonhos, que hoje celebra mais um aniversario!

Infelizmente, este ano nao poderei estar presente para com os citadinos celebrar esta data!

Recentemente estive em Quelimane e pude verificar in loco a degradacao fisica e moral da nossa cidade!

As ex-avenidas, hoje sao autenticas piscinas municipais!

Os passeios esses virarao canteiros onde se plantam batatas!

Semaforos, esses ha anos que pediram ferias sem vencimentos!

OS MACHIMBOMBOS, ESSES REPOUSAM SEU ETERNO SONO E FORAM MUNICIPALMENTE SUBSTITUIDOS PELOS TXOVA XITA DUMA E TAXIS DE BICICLETA!

Entroncamentos?

Esses viraram barracas chinesas!

Até para tirar uma foto, importamos chineses que fazem concorrencia ao amigo Teshin e a Foto Quelimane, referencias historicas!


A Catedral antiga, essa repousa esquecida nas margens dos bons sinais! E a nova? A entrada virou um autentico campeonato de buracos!



O ano passado em vesperas das eleicoes autarquicas o governo ofereceu machimbombos!

Perguntei ao amigo zefanias onde andavam os machimbombos! respondeu-me boquiaberto e triste!

Estão parados!

Parados?

Indaguei indignado!!

Sim, respondeu-me! Porquê? Porque nao ha estradas! Onde foram as estradas? Estao de ferias! Calei-me uma lágrima no canto o olho, teimou em seguir as leis da fisica, provando que de facto a gravidade existe! 

O unico senao foi a transformacao do meu Coalane em Universidade Pedagogica, apesar d edificio pertencer aos padres! Tambem fiquei feliz em saber que ali ao lado da residencia do saudoso velho Magalhães, foi erguida uma Escola Secundaria! 

Contudo, apesar da distancia fica-me um nó na garganta! um no pequeno que qualquer citadino pode ajudar-me a responder!

A pergunta que fica, e simples!



O que e que estamos a celebrar?

Alguem pomposamente me dira que estamos a celebrar a elevacao de Quelimane a categoria de Cidade! Certo, mas o que e uma cidade?

Sera que hoje Quelimane merece ser chamada de Cidade?

Uma urbe sem estradas; sem passeios; sem sinalização; sem urbanidade pode ainda ser chamada de cidade?



Nao teremos despromovido a nossa bela capital em Vila?



Quem salva a nossa bela capital?



Estas são as questões que deixo para reflexão! A unica promessa que poderei fazer a terra que me viu nascer e simples: dedicarei mais atenção a ti querida cidade! E a prenda que tenho para ti é um artigo do meu amigo Jocas Achar, publicado no Jornal Noticias, na sua edição de segunda feira!

Nao consegui mais, apenas o suficinte para mostrar que nao te esqueci! 

Mas continuarei a percorrer o mundo para que um dia voltes a categoria de Cidade! Isso sim, prometo-te!! e um dia voltaras a ser o PEQUENO BRASIL! BELA, ESTONTEANTE, FORMOSA, CINTILANTE!

Aqui ficam os meus parabens a esta cidade esquecida, abandonada pelos seus filhos, a quem deu luz! Abandonada por aqueles que juraram acarinha-la! Abandonada por aqueles que nao sendo seus filhos, nela residem! ABANDONADA POR AQUELES QUE A USAM E ABUSAM!



MAS UM DIA VOLTARáS!



Quelimane, cidade ontem, vila hoje!



Beijao querida cidade,


Do teu filho que te adora!



Manuel de Araújo

Quinta-feira, Agosto 20, 2009

O ROUBO consentido



Estas fotos pertencem a Mansir Petrie, um norte-americano, belissimo fotógrafo, que reside em Quelimane.
Dão-nos conta de mais um atentado ao património em Moçambique. A linha de caminhos-de-ferro Quelimane-Mocuba vendida ao kilo aos chineses. Como se não bastassem as máquinas velhas e novas das fábricas que foram fechando.
Como se não bastasse a cruz em ferro da velha Catedral de Quelimane, também ela vendida a peso.
Como se não bastasse o roubo diário de cabos eléctricos e telefónicos, tampas de saneamento, e de outros artefactos metálicos que são sinónimo de desenvolvimento.
Moçambique esta a saque e o mais triste é que é com a conivência de alguns "moçambicanos" que nada fazem de produtivo mas que são os "donos" e não os gestores/governantes da "coisa pública".

Segunda-feira, Agosto 17, 2009

Zalala terá hotel de quatro estrelas

Um milhão de dólares norte-americanos está a ser investido na construção de um hotel de quatro estrelas na Praia de Zalala, no distrito de Nicoadala, na província da Zambézia, No que será o primeiro hotel a ser construído na Praia de Zalala, uma zona turística com bastante espaço disponível à espera de investimento para explorar as potencialidades turísticas que continuam ainda adormecidas. O projecto, designado Zalala Beach Resort, terá capacidade de sessenta quartos, o que corresponde a cento e vinte camas, serviços de restauração, sala de conferências e parqueamento.

A directora provincial de Turismo na Zambézia, Maria de Fátima Romero, disse à nossa Reportagem que o Zalala Beach Resort é o maior investimento feito este ano na província e metade dos quartos estarão prontos dentro dos próximos quatro meses. Segundo Romero, o investimento é misto, ou seja, moçambicano e estrangeiro, e a sua concretização poderá provocar outros atractivos para a praia de Zalala.

A fonte não adiantou o número de postos de emprego a ser criados com a construção do hotel, mas afirmou que está assegurado que cidadãos moçambicanos poderão trabalhar nele, bastando estarem qualificados para as exigências. De acordo com Maria de Fátima Romero, estão em curso outros projectos que poderão dinamizar o turismo na provincia da Zambézia, nomeadamente a construção de um hotel na vila-sede distrital de Alto/ Molócuè, reabilitação da Reserva Nacional de Gilé, construção de estâncias turísticas em Pebane, entre outros.

O sector está a crescer em termos de construção de unidades hoteleiras e similares, mas a qualidade de serviço prestado ainda deixa muito a desejar. A fonte referiu-se à formação do pessoal que trabalha no ramo sublinhando que é extremamente fundamental para elevar o nível de qualidade dos serviços. Vai daí que o sector que dirige está a fazer um levantamento para apurar o número real de trabalhadores e as necessidades de trabalho. “Hoje podemos ir a um restaurante encontrar um trabalhador e no dia seguinte já não está lá; o que é que se passa?”, questionou a fonte, para depois reconhecer que para além desses despedimentos sem justa causa há outros factores que contribuem para os patrões tomarem medidas nomeadamente, infracções às normas da casa.

Para além disso, a fonte referiu que a forma como o pessoal tem sido recrutado para trabalhar não observa o critério da vocação e cortesia no atendimento que são pequenos detalhes, mas que podem contribuir negativamente para uma imagem pálida que os turistas levam no regresso ou para não voltarem outra vez à mesma casa.

Entretanto, outras informações disponíveis indicam que a proposta orçamental do II Festival de Zalala é de dois milhões de meticais. O Governo terá de mobilizar os recursos junto dos seus parceiros tradicionais para viabilizar o evento que começa a entrar para o calendário de datas festivas dos zambezianos.

Uma comissão já está a trabalhar para a definição da melhor data para a realização do festival. No ano passado, o evento teve lugar nos dias 18 a 19 de Outubro e movimentou mais de 12 mil pessoas de todo o país.

Além disso, o Governo provincial da Zambézia já criou uma comissão para fazer uma inventariação da praia de Zalala com vista a desenhar um plano mais consentâneo para o desenvolvimento da região.

  • JOCAS ACHAR